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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

#Literatura O lixão dos repressores

Foi uma resposta macabramente concreta à dolorosa questão que acompanhara por anos a fio os familiares de tantos homens e mulheres assassinados pela ditadura: o que havia sido feito de seus corpos? Atônitos, o País e as famílias dos desaparecidos políticos descobriram a resposta ao mesmo tempo, e da pior forma possível. Em um canto do Cemitério Dom Bosco, no afastado bairro de Perus, na periferia de São Paulo, uma vala de 30 metros de comprimento por 50 centímetros de largura e 2,7 metros de profundidade surgiu aos olhos do público, tão escancarada quanto a tortura do período. Era 4 de setembro de 1990. Sob o olhar da mídia, os ossos foram saindo: 1.049 ossadas encheram dezenas de sacos plásticos, empilhados na grama um a um. Neles inexistia identificação dos corpos. Vítimas políticas e indigentes mortos de fome e meningite, inclusive crianças, dividiam os sacos. Em alguns, havia até três crânios. E assim, o passado dos dias de chumbo retornou à opinião pública, exumando a ditadura na memória coletiva do Brasil.

domingo, 19 de agosto de 2012

#Música Siba: Doutorado no sertão

Matéria a seguir da revista Carta Capital apresenta o última trabalho do pernambucano Siba, que era do Mestre Ambrósio, na época em que o manguebeat estourou pelo país afora. No site dele, é posível fazer o download do novo disco dele! Curtam!!

"POETA É O QUE tira de onde não tem e bota onde não cabe.” A frase é de Pinto do Monteiro, grande violeiro da Paraíba e uma das referências de Sergio Veloso, Siba, também ele poeta que faz da música seu veículo. Aos 43 anos, o pernambucano de fortes raízes fincadas no Agreste vive o amadurecimento de um processo em que passou a questionar tudo o que até então tinha como certeza.


#Ciência A partícula essencial

"TEMOS UMA descoberta.” Rolf Heuer, diretor-geral do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), não tinha dúvida. Ele não deixou o espaço de manobra que os físicos muitas vezes se reservam ao fazer seus anúncios quando resumiu os resultados da busca de sua organização pelo bóson de Higgs. Estes foram apresentados em detalhe em 4 de julho por Joe lncandela e Fabiola Gianotti, líderes dos dois experimentos que procuram essa partícula fugaz.


#História Em decisão inédita, tribunal reconhece militar como torturador

Pela primeira vez na história da Justiça brasileira, um órgão colegiado reconheceu os crimes de um agente da ditadura. Nesta terça-feira 14, a 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a responsabilização do coronel reformado do Exército Carlos Brilhante Ustra, ex-comandante do Doi-Codi paulista, pelas torturas sofridas por três integrantes da família Teles entre 1972 e 1973.


#Música O presente através do retrovisor

O cabo de guerra pop entre os rapazes da cinzenta Liverpool e os praieiros da ensolarada Califórnia acabou em vitória dos primeiros, no fim dos anos 1960. Acabou? Os Beatles do superlativo Sgt. Pepper’s saíram de cena com evidente supremacia sobre os rivais Beach Boys, do abortado e grandiloquente projeto Smiles.


Em That’s Why God Made the Radio, os Beach Boys
são exaltados por uma mídia quase revogada
pela era do videogame compulsivo

quarta-feira, 25 de julho de 2012

#Mundo O pequeno Catar quer se tornar uma potência

Na semana passada, o Paris Saint-Germain, clube médio da França, anunciou a contratação de dois dos principais jogadores do Milan, da Itália – o zagueiro da Seleção Brasileira Thiago Silva e o atacante sueco Zlatan Ibrahimovic. As negociações chamaram a atenção pois o clube francês costumava ser vendedor de jogadores e não destino final de craques dos grandes clubes europeus, como o Milan.

O presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi,
apresenta o atacante sueco Ibrahimovic. Foto: Bertrand Guay / AFP

quarta-feira, 18 de julho de 2012

#Literatura ‘FHC plagiou intelectuais banidos pela ditadura’

Foram necessários 43 anos para que Subdesenvolvimento e Revolução, do mineiro Ruy Mauro Marini, desse o ar da graça no Brasil. Publicada pela primeira vez no México em 1969, a obra clássica do marxismo brasileiro ganhou edições em diversos países, inclusive naqueles da América Latina a viver sob o jugo de ditaduras.


Após 43 anos. O livro de Marini, censurado
durante a "transição democrática" chega enfim ao Brasil

terça-feira, 29 de maio de 2012

#Sociedade Mulheres ricas. De verdade

Para ser uma ablacker não basta querer. É preciso poder. O Brasil tem hoje 4,5 mil ablackers. E ao menos 4 mil estão na lista de espera para receber o “sim” que as colocaria no grupo. As ablackers, para quem não sabe, são as integrantes da Agenda Black, comunidade do Facebook que reúne uma seleção de mulheres ricas – para usar a expressão que entrou em voga com o programa da TV Band – do País.

São 4,5 mil ablackers. E há outras 4 mil na fila de espera.
Não basta ter dinheiro ou fama para ser aceita no grupo

#Literatura Poder Insaciável

O recém-lançado Dial M for Murdoch é um relato devastador das relações incestuosas entre o magnata da comunicação, a polícia e as lideranças políticas


#Sociedade O telemarketing do arcanjo

Walter Sandro Pereira da Silva recorda o dia em que o Arcanjo Miguel veio em seu auxílio pela primeira vez. Ele tinha 2 anos e meio e procurava desesperado a chupeta perdida. “Foi quando apareceu este ser dizendo que ela estava debaixo da cama e que eu devia procurar o Salmo 91.”

Sincretismo e doação. A Igreja Templária de Cristo mistura Reiki, ioga e passes espíritas

#Diversão #InterNotas Dois Jogos Legais

Duas dicas legais de jogos na web extraídas da coluna Internotas, da edição 698 (23/05) da revista Carta Capital. São bem divertidos!!


segunda-feira, 23 de abril de 2012

#Mídia A CPI e o fim do jornalismo investigativo de araque

Por Leandro Fortes

Há oito anos, escrevi um livrete chamado "Jornalismo Investigativo", como parte do esforço da Editora Contexto em popularizar o conhecimento básico sobre a atividade jornalística no Brasil. Digo “livrete” sem nenhum desmerecimento, muito menos falsa modéstia, mas para reforçar sua aparência miúda e funcional, um livro curto e conceitual onde plantei uma semente de discussão necessária ao tema, apesar das naturais deficiências de linguagem acadêmica de quem jamais foi além do bacharelado.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

#Música A sabedoria do boêmio

Noite dessas, Paulo Vanzolini sonhou com uma poesia de Olavo Bilac que decorou quando ainda era rapazote. Os versos, que são muitos, vieram por inteiro. Aos 88 anos, o autor de composições que atravessaram gerações sem perder a força, como Ronda e Homem de Moral, conserva a prodigiosa memória e se mantém imperturbável diante da fama.

Foto de Paulo Vanzolini
Vanzolini e Adorinan Barbosa, o "amigo de muitas cachacinhas" que hoje ele "visita" no Mercadão. Foto: Gustavo Lourenção

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

#Sociedade Ser gay é pecado?

Em seu programa de tevê e nos cultos, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, um dos maiores porta-vozes do conservadorismo religioso no País, costuma repetir a ladainha: “Homossexualidade na Bíblia é pecado. Pode tentar, forçar, mas é pecado”. Mas será mesmo pecado ser gay? Não, contestam, baseados na interpretação da mesma Bíblia, sacerdotes cristãos, tanto católicos quanto evangélicos. Para eles, a mensagem de Jesus era de inclusão: se fosse hoje que viesse à Terra, o filho de Deus teria recebido os homossexuais de braços abertos.


A representação de São Sérgio e São Baco, símbolos da causa LGBT


#InterNotas Sites Legais

Mais uma lista de sites interessantes!!!

Aperte Start
O Title Scream é uma maravilhosa coleção da arte das telas de apresentação e abertura dos videogames dos consoles Mega Drive e Super Nintendo. A ideia do criador, Cameron Askin, foi mesmo a de preservar e celebrar a arte dos jogos dessa época. Vale a visita. http://www.titlescream.com

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pop star… no Japão

Em 2004, uma oportuna gripe tornou o paulistano Ricardo Cruz ídolo das músicas japonesas de animes. Por Ricardo Carvalho. Foto: Olga Vlahou
O paulistano Ricardo Cruz, 29 anos, tornou-se um pop star japonês graças a um resfriado. Em 2004, um grupo de cantores de anime songs- – gênero das músicas de desenhos como Dragon Ball Z e Cavaleiros do Zodíaco – veio a São Paulo para uma participação especial na segunda edição do Anime Friends, hoje o maior evento de cultura pop oriental da América Latina. No único ensaio antes da apresentação, que contou com a presença do maior ícone de anime songs- no Japão, Hironobu Kageyama, uma das vocalistas estava gripada e preferiu poupar-se para o show. Cruz, fluente em japonês, conhecia as letras; assumiu o microfone e surpreendeu todos. No fim, Kageyama quis saber um pouco mais sobre o rapaz, descendente de italianos e portugueses, mas fanático pela cultura japonesa. Kageyama convidou-o a gravar uma fita demo com a música tema dos Abarangers, uma espécie de precursor dos bem mais famosos no Brasil Power Rangers. Ao receber a fita, o músico japonês de 50 anos a inscreveu num concurso para eleger o novo integrante do Jam Project (Japanese Animationsong Makers), o mais famoso grupo de anime songs do mundo, criado em 2000 e do qual Kageyama é líder. “Ele (Kageyama) ia me avisando que eu estava entre os dez finalistas, depois entre os cinco e, um dia, me ligou para dizer que eu tinha vencido”, diz Cruz. No ano seguinte, o novo integrante viajou para o Japão, conheceu os outros cinco músicos e gravou diversas trilhas para o projeto. Desde então, vai ao menos uma vez por ano ao país participar de turnês e da produção de discos. Até agora, ele compôs duas músicas para o grupo, sendo uma em português.
Em São Paulo, Cruz (acima) divide uma quitenete com os bonecos dos personagens que marcaram sua infância. Foto: Olga Vlahou
A porta de entrada de Cruz para a indústria fonográfica de anime songs pode ter sido um conveniente resfriado. Entretanto, sua bagagem cultural sobre o universo nipônico é extensa e de longa data. No início dos anos 1990, a extinta TV Manchete trouxe ao Brasil uma leva renovada de programas de super-heróis japoneses. Com 10 anos na época, Cruz passava as manhãs assistindo a títulos como Changeman, Jaspion e Jiban. “Eu me deslumbrava com os ideogramas japoneses que apareciam nas aberturas e os copiava todos nos cadernos da escola”, revela. Com o passar dos anos e a diversificação dos programas japoneses exibidos no Brasil, o interesse aumentou. Durante a adolescência, Cruz passava os fins de semana numa biblioteca de mangás – os quadrinhos orientais – na Vila Mariana e em videolocadoras da Liberdade especializadas em programação japonesa. “Eu tinha cadastro em praticamente todas. Chegava a alugar até talk shows e programas de auditório para tentar entender a língua.” Foi também na Liberdade que ele frequentou as exibições de animês (desenhos japoneses) na gibiteca Henfil, que ocorriam todo terceiro domingo do mês. “Eu quase repeti o segundo ano do colegial por matar aula para ir à Liberdade.” Aos 17 anos, incentivado pelo pai, Cruz conseguiu uma vaga para um intercâmbio pelo Rotary Club no estado japonês de Tochigi, a 100 quilômetros de Tóquio. No equivalente ao terceiro ano do ensino médio brasileiro, a principal atividade de lazer dos alunos era passar as tardes em karaokês. “Cantávamos principalmente anime songs e algumas pessoas vinham me dizer que gostavam da minha voz, mas eu nunca pensei que isso seria mais do que um hobby.” Ainda no Japão, ele foi a três apresentações do show Superhero Spirit, do qual Hironobu Kageyama participou. O músico é nacionalmente reconhecido por ter gravado as aberturas originais de séries como Dragon Ball Z, Changeman e Cavaleiros do Zodíaco.
No Japão, ao lado do padrinho musical Kageyama (à dir.)
De volta ao Brasil, em 2000, Cruz encontrou na explosão de produtos ligados à cultura japonesa um trabalho. Na Conrad, editou as revistas Pokémon Club e traduziu mangás lançados no País. Na mesma época, participou do AnimeCon, o primeiro grande evento de cultura pop nipônica no Brasil. Nele, ainda de maneira amadora, realizou pequenos shows. Em 2003, mediante uma parceria com o empresário Takashi Tikasawa, ajudou a organizar o primeiro Anime Friends, que possibilitou a vinda de Kageyama, além de outras figurinhas carimbadas no Japão, como Akira Kushida, cantor de Jiban e Jiraiya, e o ator Hiroshi Watari. “Foi a primeira vez que os fãs brasileiros tiveram contato com cantores japoneses. Em dois dias de evento, vieram mais de 18 mil pessoas.”
Único estrangeiro do grupo, Cruz orgulha-se por ser uma "ponte entre culturas"
Por morar no Brasil, a presença de Cruz no Jam Project é encarada como uma participação especial. Ele se orgulha por representar uma “ponte entre as duas culturas”. Ao escolher um brasileiro como novo integrante, o projeto reconheceu a forte presença dos animes no Brasil, país com a maior colônia de imigrantes japoneses do mundo. “Ao lado dos Estados Unidos, o Brasil é o país que mais tem tradição e que mais consome cultura pop japonesa.” O maior desafio da participação no Jam Project foram as apresentações realizadas na Arena Budokan, em 2009 e 2010. Localizada em Tóquio e com capacidade para 14 mil espectadores, a arena é famosa por ter recebido shows dos Beatles e Bob Dylan. “Durante o show, com a preocupação de não poder errar, de ter de decorar as letras e lembrar as marcações no palco, eu não consegui ter noção da proporção daquilo tudo.” Outro ponto que o surpreendeu é a relação com os fãs. Ao contrário do completo anonimato no Brasil, Cruz e os demais integrantes do Jam são recebidos com entusiasmo em estações de trem durante as turnês. “Os japoneses têm uma cultura de cozinhar para as pessoas que admiram. Sempre que a gente chega em uma cidade nova, vem um fã me entregar bolos, biscoitos etc.”
No lendário Budokan, shows que revelam o peso do gênero animesong no mercado fonográfico japonês
Ainda neste ano, Cruz deve voltar ao Japão ao menos outras duas vezes. Em dezembro, junta-se ao padrinho musical Kageyama e aos demais integrantes do Jam para mais uma temporada de gravações. Um pouco antes, em setembro, planeja divulgar o trabalho desenvolvido pela produtora Scifi-FX, que atualmente produz um filme de ficção científica brasileiro em parceria com estúdios norte-americanos e japoneses. “O Jam pode fazer uma música para a trilha sonora, é claro.” Fonte: Revista Carta Capital, ed. 661 (31/08/2011)